quarta-feira, 25 de julho de 2018

A nossa actividade expõe-nos diariamente perante certas situações com as quais temos que saber lidar. Uma delas é o vocabulário técnico.
Considerando o tema Radiografia Industrial, qual o termo correcto: Defeito, Imperfeição, Indicação ou Descontinuidade.

Esta "dissertação" serve para clarificar a situação. 
Considerem:

- De acordo com as normas EN ISO 5817 e EN ISO 6520-1 temos o termo "Imperfections". Ainda que a primeira seja aplicável apenas à Inspecção Visual, a segunda é geral.

EN ISO 5817 - Welding - Fusion-welded joints in steel, nickel, titanium and other alloys (beam welding excluded) - Quality levels for imperfections
EN ISO 6520-1 - Welding and allied processes - Classification of geometric imperfections in metallic materials - Part 1: Fusion Welding

- Na norma EN ISO 10675-1, tabela 2 "Acceptance levels for internal indications in butt welds", 1ª linha, 2ª coluna temos "Type of internal imperfections in accordance with ISO 6520-1". Concluímos que o critério de aceitação para radiografia industrial considera o termo imperfeição/indicação antes de defeito.
O ponto 1 da norma diz-nos:

"1 Scope
This document specifies acceptance levels for indications from imperfections in butt welds of steel...
...
When assessing whether a weld meets the requirement specified for a weld quality level, the sizes of imperfections permitted by standards are compared with the dimensions of indications revealed by a radiograph made of the weld."

- Recorrendo à norma EN 1330-1 "NDT - Terminology- Part 1: List of General Terms", a definição de "defect" empurra-nos para a norma ISO 8402 "Quality management and quality assurance - Vocabulary" (esta norma foi sendo sucessivamente substituída até chegarmos à ISO 9000: 2015, no entanto mantive esta definição pois está referida na EN 1330-1, última edição). Esta norma define:

Defect
Nonfulfillement of an intended usage requirement or reasonable expectation including one concerned with safety.

Esta norma também adverte que "the term defect should be used with extreme care."
Isto é sempre que não cumpre os pressupostos do critério de aceitação é defeito, caso contrário não é. Por outras palavras, não pode ser aceite (rejeição).

- A norma EN 1330-2 "NDT - Terminology - Part 2: Terms common to the NDT methods" temos:

Discontinuity; inhomegeneity
Detectable change in the material, produced inherently or artificially.
Indication
Representation or signal from a discontinuity in the format typical for the NDT method used.

- Avançando com o raciocínio, a ISO TR 25901-1 " Welding and allied processes - Vocabulary - Part 1: General terms" define:

Imperfection
Discontinuity in the weld or deviation from the intended geometry.


CONCLUSÃO
O que se detecta quando se interpreta radiografias é: indications of imperfections (EN ISO 10675-1).
Estas indicações de imperfeições tornam-se defeito quando se verifica: nonfulfillement of an intended usage requirement or reasonable expectiation including one concerned with safety. Isto é, apenas é defeito se, de acordo com a EN ISO 10675-1: a weld does not meet the requirements specified for a weld quality.
Na realidade, apenas a norma EN 1330-1 usa/refere o termo defeito, as restantes usam indicações, imperfeições e descontinuidades.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Considerações sobre ENDs

Há algumas ideias erradas relativamente aos Ensaios não Destrutivos sobre as quais irei tecer algumas considerações.

Um dos conceitos errados é que os ENDs asseguram que a peça ou soldadura controlada não vai falhar ou funcionar mal. Esta situação não é necessáriamente verdade. Todos os métodos e técnicas ENDs tem as suas limitações. Um ensaio por si só não é suficiente. Na maior parte dos casos, um exame rigoroso requer um mínimo de dois ensaios: um para avaliar a condição interna e outro que seja mais sensível a condições superficiais. É essencial o conhecimento profundo das limitações de cada método ou técnica antes da sua utilização. Adicionalmente, os critérios de aceitação definem os limites de aceitabilidade em termos de tipo e dimensões de descontinuidades, mas se o método não for capaz de distinguir estas condições os Códigos, Normas e especificações tem pouco significado.

Outro mal entendido envolve a natureza e as características da peça ou soldadura a ensaiar. É fundamental reunir o máximo de informação possível para se poder seleccionar os métodos e as técnicas de ensaio. Características importantes como processos de fabrico e as possíveis descontinuidades que este gera ou os esforços que a peça será sujeita, assim como os Códigos, Normas e Especificações aplicáveis deverão ser conhecidas e compreendidas como um pré-requisito de ensaio.

Por vezes, há a ideia errada que peças ou soldaduras sujeitas a ENDs sofrem uma transformação que lhes garante estarem em perfeitas condições. Códigos, Normas e Especificações estabelecem os requisitos mínimos e não são garantia que as peças ou soldaduras estarão livres de descontinuidades. Adicionalmente nada nos garante que descontinuidades aceitáveis não serão causa de algum problema que comprometa as mesmas em serviço. Uma situação destas ilustra a necessidade de acompanhamento e monitorização em serviço.

Outro mal entendido está relaccionado com o pessoal. Como os ENDs são uma tecnologia Hands-On e em constantes evolução, a formação e as qualificações dos técnicos são um factor muito importante. Equipamentos, técnicas e procedimentos sofisticados podem ter resultados potencialmente insatisfatórios quando aplicados por pessoas não qualificadas, ainda que certificadas.