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Magnetoscopia vs Líquidos Penetrantes


Desde que a Qualend começou a laborar, tem havido um obstáculo díficil de ultrapassar com nossos Clientes, a preferência pelos Líquidos Penetrantes em detrimento da Magnetoscopia.
Na realidade, a literatura da especialidade diz claramente que o ensaio por Líquidos Penetrantes tem uma sensibilidade elevada. No entanto, nunca estabelece uma comparação entre os dois métodos.
Desde sempre, o Cliente quer ser bem servido pagando o menos possível. Podendo ser este um dos pontos que os leva a optar pelos Líquidos Penetrantes, em minha opinião mal.
Posto isto, em termos comparativos temos:
  • Ambos os ensaios exigem um conjunto de consumíveis. No caso dos Líquidos Penetrantes, temos o líquido penetrante, o revelador e o líquido de limpeza. A Magnetoscopia tem a laca de contraste, o líquido magnético e o líquido de limpeza.
  • Os requisitos de limpeza são semelhantes, isto é, as superfícies a ensaiar deverão estar isentas de oxidação, óleos, gordura, salpicos de soldadura, marcas de maquinagem, sujidade, tinta e todos os corpos estranhos que possam afectar a sensibilidade do ensaio.
  • A Magnetoscopia, ao contrário dos Líquidos Penetrantes, necessita de equipamento para efectuar o ensaio. No entanto, a "velocidade de ensaio" é superior pois para os Líquidos Penetrantes é necessário cumprir certos requisitos temporais definidos em Códigos, Normas e Especificações do Fabricante.
  • Outra condicionante relativa à utilização de equipamento na Magnetoscopia deve-se ao espaço físico disponível para o ensaio. A utilização de equipamento de magnetoscopia agrava a situação.
  • O campo de aplicação dos Líquidos Penetrantes é mais amplo, pois a Magnetoscopia está limitada aos materiais magnéticos.
  • Outra das limitações da Magnetoscopia é a questão da electricidade. No entanto, este problema é ultrapassado com a utilização de imans permanentes, sendo que a utilização deste tipo de equipamentos está dependente da aceitação do Cliente.
  • Por outro lado, a Magnetoscopia oferece a possibilidade de detecção de indicações sub-superficiais, ao contrário dos Líquidos Penetrantes que só detectam indicações abertas à superfície.
  • Uma vantagem interessante da Magnetoscopia é a possibilidade de ensaiar peças de geometria complicada. Com Líquidos Penetrantes também é possível, mas o tempo de ensaio é incomparável.
  • A questão da remoção do excesso do penetrante também levanta algumas dúvidas. Uma limpeza exaustiva poderá remover por completo o penetrante de indicações de profundidade reduzida, eliminando assim indicações que de acordo com o critério de aceitação poderiam ser consideradas inaceitáveis.

Pessoalmente, a utilização dos Líquidos Penetrantes só se torna competitivo com a Magnetoscopia se as superfícies de ensaio estiverem polidas de modo a facilitar a remoção do excesso de penetrante. Caso contrário, só devem ser aplicados a materiais não magnéticos como é o caso dos Aços Inoxidáveis, sendo que neste caso o acabamento das soldaduras e material de base é normalmente muito boa.

Tive uma experiência interessante que poderá ilustrar uma das razões pela qual, em minha opinião, alguns Clientes preferem o ensaio por Líquidos Penetrantes . Quando estava a trabalhar para um dos meus Clientes pediram-me para fazer magnetoscopia ao interior do corpo de uma válvula que já tinha dado problemas. Apliquei a laca de contraste, posicionei o yoke e apliquei as partículas. Assim que o campo magnético se formou surgiram um conjunto de indicações do tipo fissura na zona do chanfro. Informei o meu Cliente entrou contacto com o seu Fornecedor. Após uma breve discussão acordaram que se o ensaio por líquidos penetrantes não detecta-se nada a válvula era aceite. A válvula foi aceite como estava. A magnetoscopia detectou indicações sub-superficiais que segundo o Código aplicável eram inaceitáveis. Para bom entendedor meia palavra basta.

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